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Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Moradia

Eleições 2026: próximo governador tem desafio de garantir moradia digna para mais de um milhão de paulistas Foram anos de espera, reuniões, mutirões e atÃ...

Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Moradia
Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Moradia (Foto: Reprodução)

Eleições 2026: próximo governador tem desafio de garantir moradia digna para mais de um milhão de paulistas Foram anos de espera, reuniões, mutirões e até protestos. Quando finalmente recebeu as chaves do apartamento em que mora até hoje, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, Walquíria Porfírio dos Anjos já conhecia cada detalhe da construção. "Eu fazia a parte elétrica. Cortava a parede, embutia conduíte, puxava fio. Eu que fiz a fiação da minha casa", lembra. Hoje síndica do condomínio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), ela mora há 15 anos no apartamento que ajudou a construir durante um projeto de mutirão habitacional no Parque Pirajussara. Moradias entregues pela CDHU em Campinas Divulgação/CDHU A história de Walquíria é um exemplo de como decisões tomadas pelo governo estadual podem transformar a vida de milhares de famílias. Em São Paulo, cabe ao estado financiar empreendimentos habitacionais, apoiar municípios com menos recursos e enfrentar situações de risco, para citar alguns exemplos. Apesar de centenas de milhares de unidades habitacionais entregues nas últimas décadas, o desafio continua enorme: cerca de 1 milhão de famílias ainda precisam de habitação adequada no estado, segundo estimativas atualizadas. Moradia é o tema da quarta reportagem da série especial do g1 e do SP2 sobre as eleições. Ao longo das próximas semanas, elas mostram como as decisões do governo paulista afetam diretamente a vida dos moradores nesta e em outras áreas essenciais, como segurança e saúde. Saiba qual é o o papel do governo do estado nas áreas que mais preocupam o eleitor de SP O que o governo do estado tem a ver com moradia? Embora a construção de casas populares seja frequentemente associada ao governo federal ou às prefeituras, os estados também têm papel importante nas políticas habitacionais. Em São Paulo, a principal ferramenta é a CDHU, empresa estadual responsável por construir, financiar e viabilizar moradias destinadas principalmente à população de baixa renda. Segundo dados do governo estadual, quase 210 mil unidades habitacionais foram entregues nos últimos dez anos. Nesse mesmo período, empreendimentos construídos ou financiados pela CDHU chegaram a 394 dos 645 municípios paulistas. As estimativas mais recentes apontam que pelo menos 1 milhão de famílias no estado ainda aguardam acesso a uma moradia considerada adequada e definitiva. Apartamentos da CDHU serão sorteados em Presidente Prudente (SP) Cedida/CDHU O papel do estado nos municípios menores Para especialistas, a atuação estadual é particularmente importante fora dos grandes centros urbanos. Segundo Laryssa Kruger, coordenadora do Insper Cidades e especialista em habitação, muitos municípios não têm estrutura técnica ou financeira suficiente para desenvolver políticas habitacionais próprias. Nesses casos, a participação do governo estadual pode ser decisiva para viabilizar empreendimentos, regularizar imóveis e ampliar o acesso da população de baixa renda à moradia formal. Defesa Civil atua em área de deslizamento em Campo Limpo Paulista (SP) Defesa Civil/Divulgação "O governo estadual pode ter um papel muito estratégico, principalmente quando a gente está falando de pequenos municípios, que não vão ter tantas condições de viabilizar as suas próprias políticas e vão precisar de mais aporte, seja do governo estadual, seja do governo federal", afirma. A ação do estado se torna ainda mais urgente em municípios com poucos recursos e muitas áreas de risco, onde as chuvas provocam tragédias há decadas. Um estudo produzido em 2018 pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica que naquele ano havia 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas expostas a riscos ambientais no estado. São áreas vulneráveis a enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais. Vila Sahy em São Sebastião ainda tem risco de deslizamento após um ano da tragédia Moradia não é só entregar uma chave Quando se fala em política habitacional, a imagem mais comum é a de conjuntos de apartamentos recém-entregues. Mas, para especialistas, o desafio da moradia em São Paulo vai muito além da construção de novas unidades. Há milhares de famílias que já têm uma casa, mas vivem em imóveis com infiltrações, pouca ventilação, riscos estruturais, ligações precárias de água e energia ou sem documentação regularizada. Para a coordenadora do Insper Cidades, Laryssa Kruger, programas voltados exclusivamente à entrega da casa própria não conseguem responder sozinhos à complexidade do problema habitacional no estado. Dique da Vila Gilda é considerado o maior aglomerado de palafitas da América Latina Arquivo A Tribuna "A gente tem uma cultura muito de casa própria, mas sempre reforço a importância de pensar em um conjunto de políticas de habitação que não sejam só com transferência de bem", afirma a especialista. Segundo ela, intervenções menores podem gerar impactos significativos na qualidade de vida da população. Reformas estruturais, ampliação de cômodos, melhorias na ventilação e iluminação, obras de drenagem e contenção de encostas, além da regularização fundiária, ajudam a tornar as moradias mais seguras e saudáveis sem a necessidade de deslocar famílias inteiras para outros locais.